segunda-feira, 13 de julho de 2009

Analfabetismo Funcional - Uma Questão de (Falta de) Educação

Antes de fazer os comentários que eu gostaria, convém que eu deixe definido de maneira clara o termo "analfabetismo funcional". Para quem não tem interesse (ou paciência, ou tempo), a seção seguinte pode ser pulada. Anyways, eu recomendo a leitura, para que o termo fique bem delimitado.

Definição

Segundo a Wikipedia:

"Analfabeto funcional é a denominação dada à pessoa que, mesmo com a capacidade de decodificar minimamente as letras, geralmente frases, sentenças e textos curtos; e os números, não desenvolve a habilidade de interpretação de textos e de fazer as operações matemáticas. Também é definido como analfabeto funcional o individuo maior de quinze anos e que possui escolaridade inferior a quatro anos, embora essa definição não seja muito precisa, já que existem analfabetos funcionais com nível superior de escolaridade."

Agora o causo...

Sou uma pessoa do ambiente acadêmico. Convivo com alunos, professores, pesquisadores e outros atores do cenário científico. E claro, convivo com os invisíveis, as pessoas que dão duro para fazer a máquina funcionar, ainda que (vistos pela maioria como) meras engrenagens: faxineiras, seguranças, e outros funcionários. A diferença de escolaridade entre o primeiro grupo e o segundo (pelo menos em alguns segmentos deste) é obviamente acentuada.

Não seria ilógico nem irrasoável esperar que alunos, pesquisadores e professores de uma IES soubessem ler e interpretar textos. Isso faz parte do trabalho científico, enfim. Constato, entretanto, que as coisas não são bem assim, pelo menos no meu ambiente. Cheguei à dolorosa conclusão de que meus colegas são, em sua maioria, analfabetos funcioais. Cheguei a esta conclusão de maneira um tanto incômoda.

No Instituto onde eu (finjo que) pesquiso, existem diversas lixeiras, aproximadamente metade destinada a lixo reciclável, e as restantes a lixo orgânico (borra de café, erva-mate, cascas de frutas, enfim). Todas com um cartaz identificando qual tipo de lixo deve ser colocada em cada uma, com exemplos. Para o meu desgosto e revolta, sempre que vou esvaziar minha cuia, eu encontro as lixeiras destinadas a este fim cheias até a borda com garrafas plásticas, copinhos, e toda sorte de lixo errado. Lixo ali colocado por pessoas de curso superior, supostamente instruídas, e o que é pior, instrutoras de outrem.

Fico me perguntando a qualidade de um processo seletivo que permite a admissão, como professores e alunos, de analfabetos funcionais, incapazes de entender o que deve ser posto em um simples cesto a partir de uma (tão simples quanto) enumeração de itens. Para resolver este problema, só existe um remédio: EDUCAÇÃO!

Falta ainda uma pergunta a ser feita: de onde vem essa falta de educação?

OBS: ande por aí e veja se a faxineira coloca o lixo no lugar errado... Percebeu a diferença?

Não deixem de usar seus neurônios!!