terça-feira, 21 de agosto de 2012

Questão de Opinião

É muito positivo ter idéias próprias, da mesma forma, também, que é positivo analisar e ter opiniões sobre idéias de outrem. É desta forma que surgem os debates, os confrontos de idéias, e o nascimento de novas idéias.

O exercício da opinião e a expressão de idéias deve ser uma manifestação do livre-arbítrio. Afinal, liberdade de expressão é ter a liberdade de não dizer nada, quando não se quer. Nestes tempos bicudos, onde ser afiado é uma necessidade, existe uma pressão social implícita, uma obrigação não-dita, de que todo mundo tenha que ter opinião sobre tudo. Parece ser inconcebível, na Era da Informação, dar-se ao luxo de não refletir sobre alguma questão. Meio que um fruto indireto disso, a profusão de blogs, posts e comentários de notícias, palpitando sobre tudo, abundam na internet.

De novo, ressalto, opinar é importante. Expressar-se é vital. Mas a opinião não vem do nada. A construção da opinião a respeito de algum assunto nasce de toda uma gama de conhecimentos e experiências de vida. Uma opinião bem formada demanda perspectiva. Infelzmente não é o que se tem visto. Os textos são cada vez mais superficiais, as "pequenas pílulas de informação", como se ouve por aí. As notícias tornaram-se pouco mais do que headlines. Pudera, com a velocidade que se espera - e se demanda, sabe-se lá por que a razão de tanta pressa - não há tempo para profundidade. Entre palavras-chave pinçadas aqui e ali, e raciocínios apressados sem um substrato adequado, temos a situação que se apresenta a nós. Basta acessar qualquer site de notícias e verificar a quantidade de descalabros nos comentários. Resultado de uma notícia mal-redigida, um texto mal lido e mal interpretado e mal analisado, tendo como base idéias superficiais e difusas.

O resultado? A superficialidade se propaga de forma exponencial, pois a fonte de conhecimento de muitos nessa era digital é a opinião superficial de outros. Perspectivas para o futuro? Não sei... prefiro me abster de opinar sobre isso.

Não deixem de usar seus neurônios!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Seleção Natural, Evolução e Extinção

Segundo Darwin, em sua obra mais célebre, as espécies evoluem e se adaptam ao ambiente onde vivem, segundo o mecanismo da seleção natural. Os mais aptos, mais capazes de sobreviver em um dado ambiente, vivem tempo suficiente para se reproduzirem. Com o tempo, estes exemplares acabam sendo o paradigma para aquela espécie. Exemplares que não conseguem se adaptar ao ambiente, não sobrevivem tempo suficiente para se reproduzir. Com o tempo, acabam por desaparecer. E mais uma espécie se extingue.

Claro, estamos falando de seres vivos em um ecossistema. Entretanto, é plenamente possível aplicar um raciocínio análogo a uma área um tanto mais abstrata: a linguagem. De forma análoga a seres vivos, palavras, expressões e arranjos sintáticos também dependem de um mbiente propício para viver tempo o suficiente para se reproduzirem, sob pena de desparecerem, senão completamente, pelo menos parcialmente, restando como exemplares em listas de espécies extintas ou ameaçadas.

O fato é que muitas palavras estão caindo em desuso, pelo puro fato de serem por demais específicas, por demais detalhadas, especializadas. As pessoas, que são o ambiente onde as palavras e expressões vivem e se reproduzem, se tornaram, ao longo do tempo, cada vez mais simplistas, e parecem estar cada vez menos capazes de raciocínios elaborados ou meramente um pouco mais sofisticados. Pode ser uma condição orgânica que tenha se desenvolvido, ou meramente o fruto de uma rotina mecanizante, e intervalos preenchidos por atividades isentas de raciocínio. O que quer que seja, raciocínios e idéias mais sutis, puros, claros e detalhados estão desaparecendo por pura "falta de capacidade de processamento". E, com eles, as formas de expressá-los adequadamente.

Os léxicos das pessoas estão ficando cada vez menores, com preferência a construções mais simples e palavras de uso mais geral. De fato, idéias refinadas exigem construções e palavras apropriadas. De tal forma que, quem se expressa de forma correta (ou o mais próximo disso) corre o risco de não ser compreendido. Pior ainda, a tradução de idéias mais sutis e sofisticadas em construções mais simples e generalistas causa danos e distorções irreversíveis.

E as palavras, estes nobres espécimes, acabam por jazer esquecidas em dicionários cada vez menos consultados. Formas delicadas demais para sobreviver no deserto árido que se tornou a cognição geral. Frente ao embrutecimento inevitável da linguagem, deixo aqui registrado este singelo lamento. A linguagem é uma forma de memória. E se isso se perder, o que seremos? Andarailhos mecanizados esquecidos de que um dia tiveram passado?

Mas enquanto houver vida, haverá esperança. Quiçá, uma reserva ecológica.

Não deixem de usar seus neurônios!!

domingo, 15 de abril de 2012

Sur Les Pensées

Les pensées sont un sujet de la philosophie et beaucoup des autres champs d'étude depuis long temps. Aujourd'hui, la science a mis a pierre sur la question: pour lui - en vérité, les scientistes - les pensées sont le produit de la activité du cervau.

Cette idée n'est pas sans logique, en fait, elle suit la notion de cause et effet. Les neurones s'activent dans une région du cervau, ce que active quelques autres neurones en suite, et tout ça. Comme la science a determiné que quand quelqu'un pense, les neurones sont actives et que quand quelqu'un ne pense pas, in n'y a pas, activité neuronale, la conclusion est que les neurones sont la origine des pensées.

Cependant, si nous pouvons penser de cette façon, on peux penser, donc, qui la activité electique dans un circuit est la résponsable pour la activité d'un programme d'ordinateur. Mais c'est faux, c'est le programme qui est la cause de la activité electrique dans les ordinateurs, non le contraire. Pourqui nous ne pouvons pas penser la même chose de notres pensées? Notres pensées pouvons étre, lui mêmes, la cause - non le consequence - de la activité neuronale.

Je n'ai pas la réponse de la question de "oú sont les penséss? Oú restent-ils?" ni "Quelle est sa matière?" Je voulais, seulement, poser quelque point pour reflexion.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Fast Food

Andando pelas livrarias da vida, podemos ver uma profusão de lançamentos a cada dia. Muitos best-sellers, com capas atrativas e nomes chamativos. Entretanto, quando paramos alguns minutos para ler a sinopse e ver do que se trata, a decepção é quase certa. Para quem já tem uma certa bagagem literária - com a inevitável dose de livros ruins - fica fácil detectar roteiros óbvios, personagens batidos e tramas superficiais. Considerando a tendência humana (animal, aliás) de imitação... não, imitação é um termo muito duro, inspiração é melhor, não é difícil perceber também que as histórias são, em última análise, releituras malfeitas de histórias pretéritas que tiveeram sucesso.

Para quem aprecia uma leitura de qualidade, ou está meramente ciente de que está lendo algo de má qualidade de caso pensado, a difículdade em achar leituras boas chega a ser depressiva. E o sucesso que livros fracos e caquéticos fazem é tão deprimente quanto. Mas era justamente neste ponto que eu queria chegar.

Ler é preciso, é fundamental. A não ler nada, sempre é preferível ler alguma coisa, nem que seja revistinha de sacanagem (de fato, algumas publicações contam com um staff jornalístico bem gabaritado). É como comer. A morrer de fome, é melhor comer algo, nem que seja McDonalds. Mas sabemos (eu espero) que McDonalds não tem um valor nutritivo dos melhores, e que não se pode viver exclusivamente, ou majoritariamente, de McDonalds, sob pena de excesso de peso, entre outras moléstias. Um raciocínio análogo se aplica às leituras de "baixo valor nutritivo" . Satisfazem a necessidade de leitura, mas não acrescentam à pessoa. Se a pessoa não transcender a essa dieta literária pobre, ficará limitada pelo inchaço causado pelos clichês batidos e personagens rasos. Mas ler livros ruins faz parte da educação literária de uma pessoa, é uma etapa que não pode ser apagada.

Claro, o julgamento sobre o que seria um livro ruim ou não é bem mais subjetivo do que o julgamento sobre o grau nutritivo de algum alimento qualquer. Mesmo sendo uma opinião pessoal, não me furto de emiti-la.

Como palavra final, deixo um último devaneio: será que essa superficialidade onipresente não é apenas um reflexo da superficialidade do próprio ser humano?

Não deixem de usar seus neurônios!!

domingo, 25 de março de 2012

Metaopinião

Muito se tem falado em liberdade e democracia nos últimos tempos. Liberdade de expressão, liberdade de opinião, liberdade de sabe-se-lá o que. Estranhamente, ao mesmo tempo, existe uma atmosfera opressiva, um tipo de "zeitgeist" (é a melhor palavra que define a situação), na contramão desta tão falada liberdade.

Por alguma razão, surgiu a noção de que todo mundo PRECISA ter opiniões sobre as coisas, pelo menos dos pontos mais comentados, dada a facilidade de expressão e disseminação de opiniões. A algumas pessoas, o inocente "não acho nada" soa como um herege desperdício de uma liberdade tão duramente conquistada. A impressão que fica é estranha, afinal, a liberdade de opinião deveria incluir, naturalmente, a liberdade de não ter opinião nenhuma.

Analisemos, rapidamente, a situação.

A necessidade, ou obrigação, de se ter uma opinião sobre o que quer que seja me faz lembrar de uma concepção bastante disseminada nas esquerdas da vida: a necessidade engajamento político pessoal e busca pelas ideologias ocultas atrás de tudo (até do limo sobre as pedras). Preconceito da minha parte? Óbvio, afinal, estou analisando o fenômeno a partir de uma idéia preconcebida que eu tenho sobre o modus operandi dos marxistas de plantão. Que seja, afinal, estou exercendo meu direito (ou dever?!) de ter uma opinião, e de expressá-la.

Antes de prosseguir, façamos uma nova digressão. Uma opinião é um construto um tanto complexo. Construí-la exige conhecimento daquilo sobre o qual vai-se emitir a opinião, bem como de contexto (social, político, econômico, histórico, cultural, ideológico) do objeto da opinião, bem como uma certa dose de conhecimento de mundo em geral. E perspectiva. Sem querer soar elitista ou pedante, é meio difícil crer que adolescentes que mal sabem onde estão as próprias meias (quando sabem...) tenham perspectiva para conseguirem dar uma opinião bem formada sobre algo mais que vídeo-game ou cores de esmalte.

Voltndo ao assunto...

Existem alguns efeitos associados. Quem tem olhos para ver, pode ver o nível de superficialidade nas notícias que são divulgadas nos meios eletrônicos (o alimento principal da nova geração de opinadores) e da baixa capacidade de interpretação de textos e de leitura profunda destes mesmos opinadores. Combinemos um texto raso com uma leitura mais rasa ainda e teremos a formação de uma noção distorcida. Tudo isso, junto a falta de elementos que balizem a construção de uma opinião bem-formada leva ao festival absurdos que vemos todos os dias na rede.

Poderia ter escolhido ficar sem dizer nada. Mas, nesta matéria em específico, apontar o estado doentio de coisas e expressar opiniões acerca, é mais que um direito. É um dever.

Não deixem de usar seus neurônios!!