Segundo Darwin, em sua obra mais célebre, as espécies evoluem e se adaptam ao ambiente onde vivem, segundo o mecanismo da seleção natural. Os mais aptos, mais capazes de sobreviver em um dado ambiente, vivem tempo suficiente para se reproduzirem. Com o tempo, estes exemplares acabam sendo o paradigma para aquela espécie. Exemplares que não conseguem se adaptar ao ambiente, não sobrevivem tempo suficiente para se reproduzir. Com o tempo, acabam por desaparecer. E mais uma espécie se extingue.
Claro, estamos falando de seres vivos em um ecossistema. Entretanto, é plenamente possível aplicar um raciocínio análogo a uma área um tanto mais abstrata: a linguagem. De forma análoga a seres vivos, palavras, expressões e arranjos sintáticos também dependem de um mbiente propício para viver tempo o suficiente para se reproduzirem, sob pena de desparecerem, senão completamente, pelo menos parcialmente, restando como exemplares em listas de espécies extintas ou ameaçadas.
O fato é que muitas palavras estão caindo em desuso, pelo puro fato de serem por demais específicas, por demais detalhadas, especializadas. As pessoas, que são o ambiente onde as palavras e expressões vivem e se reproduzem, se tornaram, ao longo do tempo, cada vez mais simplistas, e parecem estar cada vez menos capazes de raciocínios elaborados ou meramente um pouco mais sofisticados. Pode ser uma condição orgânica que tenha se desenvolvido, ou meramente o fruto de uma rotina mecanizante, e intervalos preenchidos por atividades isentas de raciocínio. O que quer que seja, raciocínios e idéias mais sutis, puros, claros e detalhados estão desaparecendo por pura "falta de capacidade de processamento". E, com eles, as formas de expressá-los adequadamente.
Os léxicos das pessoas estão ficando cada vez menores, com preferência a construções mais simples e palavras de uso mais geral. De fato, idéias refinadas exigem construções e palavras apropriadas. De tal forma que, quem se expressa de forma correta (ou o mais próximo disso) corre o risco de não ser compreendido. Pior ainda, a tradução de idéias mais sutis e sofisticadas em construções mais simples e generalistas causa danos e distorções irreversíveis.
E as palavras, estes nobres espécimes, acabam por jazer esquecidas em dicionários cada vez menos consultados. Formas delicadas demais para sobreviver no deserto árido que se tornou a cognição geral. Frente ao embrutecimento inevitável da linguagem, deixo aqui registrado este singelo lamento. A linguagem é uma forma de memória. E se isso se perder, o que seremos? Andarailhos mecanizados esquecidos de que um dia tiveram passado?
Mas enquanto houver vida, haverá esperança. Quiçá, uma reserva ecológica.
Não deixem de usar seus neurônios!!
Claro, estamos falando de seres vivos em um ecossistema. Entretanto, é plenamente possível aplicar um raciocínio análogo a uma área um tanto mais abstrata: a linguagem. De forma análoga a seres vivos, palavras, expressões e arranjos sintáticos também dependem de um mbiente propício para viver tempo o suficiente para se reproduzirem, sob pena de desparecerem, senão completamente, pelo menos parcialmente, restando como exemplares em listas de espécies extintas ou ameaçadas.
O fato é que muitas palavras estão caindo em desuso, pelo puro fato de serem por demais específicas, por demais detalhadas, especializadas. As pessoas, que são o ambiente onde as palavras e expressões vivem e se reproduzem, se tornaram, ao longo do tempo, cada vez mais simplistas, e parecem estar cada vez menos capazes de raciocínios elaborados ou meramente um pouco mais sofisticados. Pode ser uma condição orgânica que tenha se desenvolvido, ou meramente o fruto de uma rotina mecanizante, e intervalos preenchidos por atividades isentas de raciocínio. O que quer que seja, raciocínios e idéias mais sutis, puros, claros e detalhados estão desaparecendo por pura "falta de capacidade de processamento". E, com eles, as formas de expressá-los adequadamente.
Os léxicos das pessoas estão ficando cada vez menores, com preferência a construções mais simples e palavras de uso mais geral. De fato, idéias refinadas exigem construções e palavras apropriadas. De tal forma que, quem se expressa de forma correta (ou o mais próximo disso) corre o risco de não ser compreendido. Pior ainda, a tradução de idéias mais sutis e sofisticadas em construções mais simples e generalistas causa danos e distorções irreversíveis.
E as palavras, estes nobres espécimes, acabam por jazer esquecidas em dicionários cada vez menos consultados. Formas delicadas demais para sobreviver no deserto árido que se tornou a cognição geral. Frente ao embrutecimento inevitável da linguagem, deixo aqui registrado este singelo lamento. A linguagem é uma forma de memória. E se isso se perder, o que seremos? Andarailhos mecanizados esquecidos de que um dia tiveram passado?
Mas enquanto houver vida, haverá esperança. Quiçá, uma reserva ecológica.
Não deixem de usar seus neurônios!!

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