terça-feira, 8 de maio de 2012

Seleção Natural, Evolução e Extinção

Segundo Darwin, em sua obra mais célebre, as espécies evoluem e se adaptam ao ambiente onde vivem, segundo o mecanismo da seleção natural. Os mais aptos, mais capazes de sobreviver em um dado ambiente, vivem tempo suficiente para se reproduzirem. Com o tempo, estes exemplares acabam sendo o paradigma para aquela espécie. Exemplares que não conseguem se adaptar ao ambiente, não sobrevivem tempo suficiente para se reproduzir. Com o tempo, acabam por desaparecer. E mais uma espécie se extingue.

Claro, estamos falando de seres vivos em um ecossistema. Entretanto, é plenamente possível aplicar um raciocínio análogo a uma área um tanto mais abstrata: a linguagem. De forma análoga a seres vivos, palavras, expressões e arranjos sintáticos também dependem de um mbiente propício para viver tempo o suficiente para se reproduzirem, sob pena de desparecerem, senão completamente, pelo menos parcialmente, restando como exemplares em listas de espécies extintas ou ameaçadas.

O fato é que muitas palavras estão caindo em desuso, pelo puro fato de serem por demais específicas, por demais detalhadas, especializadas. As pessoas, que são o ambiente onde as palavras e expressões vivem e se reproduzem, se tornaram, ao longo do tempo, cada vez mais simplistas, e parecem estar cada vez menos capazes de raciocínios elaborados ou meramente um pouco mais sofisticados. Pode ser uma condição orgânica que tenha se desenvolvido, ou meramente o fruto de uma rotina mecanizante, e intervalos preenchidos por atividades isentas de raciocínio. O que quer que seja, raciocínios e idéias mais sutis, puros, claros e detalhados estão desaparecendo por pura "falta de capacidade de processamento". E, com eles, as formas de expressá-los adequadamente.

Os léxicos das pessoas estão ficando cada vez menores, com preferência a construções mais simples e palavras de uso mais geral. De fato, idéias refinadas exigem construções e palavras apropriadas. De tal forma que, quem se expressa de forma correta (ou o mais próximo disso) corre o risco de não ser compreendido. Pior ainda, a tradução de idéias mais sutis e sofisticadas em construções mais simples e generalistas causa danos e distorções irreversíveis.

E as palavras, estes nobres espécimes, acabam por jazer esquecidas em dicionários cada vez menos consultados. Formas delicadas demais para sobreviver no deserto árido que se tornou a cognição geral. Frente ao embrutecimento inevitável da linguagem, deixo aqui registrado este singelo lamento. A linguagem é uma forma de memória. E se isso se perder, o que seremos? Andarailhos mecanizados esquecidos de que um dia tiveram passado?

Mas enquanto houver vida, haverá esperança. Quiçá, uma reserva ecológica.

Não deixem de usar seus neurônios!!