Andando pelas livrarias da vida, podemos ver uma profusão de lançamentos a cada dia. Muitos best-sellers, com capas atrativas e nomes chamativos. Entretanto, quando paramos alguns minutos para ler a sinopse e ver do que se trata, a decepção é quase certa. Para quem já tem uma certa bagagem literária - com a inevitável dose de livros ruins - fica fácil detectar roteiros óbvios, personagens batidos e tramas superficiais. Considerando a tendência humana (animal, aliás) de imitação... não, imitação é um termo muito duro, inspiração é melhor, não é difícil perceber também que as histórias são, em última análise, releituras malfeitas de histórias pretéritas que tiveeram sucesso.
Para quem aprecia uma leitura de qualidade, ou está meramente ciente de que está lendo algo de má qualidade de caso pensado, a difículdade em achar leituras boas chega a ser depressiva. E o sucesso que livros fracos e caquéticos fazem é tão deprimente quanto. Mas era justamente neste ponto que eu queria chegar.
Ler é preciso, é fundamental. A não ler nada, sempre é preferível ler alguma coisa, nem que seja revistinha de sacanagem (de fato, algumas publicações contam com um staff jornalístico bem gabaritado). É como comer. A morrer de fome, é melhor comer algo, nem que seja McDonalds. Mas sabemos (eu espero) que McDonalds não tem um valor nutritivo dos melhores, e que não se pode viver exclusivamente, ou majoritariamente, de McDonalds, sob pena de excesso de peso, entre outras moléstias. Um raciocínio análogo se aplica às leituras de "baixo valor nutritivo" . Satisfazem a necessidade de leitura, mas não acrescentam à pessoa. Se a pessoa não transcender a essa dieta literária pobre, ficará limitada pelo inchaço causado pelos clichês batidos e personagens rasos. Mas ler livros ruins faz parte da educação literária de uma pessoa, é uma etapa que não pode ser apagada.
Claro, o julgamento sobre o que seria um livro ruim ou não é bem mais subjetivo do que o julgamento sobre o grau nutritivo de algum alimento qualquer. Mesmo sendo uma opinião pessoal, não me furto de emiti-la.
Como palavra final, deixo um último devaneio: será que essa superficialidade onipresente não é apenas um reflexo da superficialidade do próprio ser humano?
Não deixem de usar seus neurônios!!
segunda-feira, 9 de abril de 2012
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