De todos os atributos que diferenciam a humanidade dos outros animais, o que eu apontaria como o mais sublime é o seu ardente anseio por entendimento. Para o ser humano, não basta estar vivo, é preciso saber por que se está vivo. É preciso conhecer a Natureza, como ela funciona, como funcionamos nela, como nos relacionamos com ela. O ser humano tem uma sede infinita por se conhecer e se entender. Este esforço moldou a trajetória da Humanidade desde seu amanhecer e, penso eu, livrou a raça humana dos grilhões do atavismo.
A busca pela compreensão da natureza, na infância da humanidade, deve ter tido um propósito essencialmente pragmático, dada a dificuldade das praxes da sobrevivência naqueles tempos. Quando se sabe como tudo funciona é possível antecipar-se às dificuldades. Não é difícil imaginar os mais criativos, ao perceberem o padrão de alternância de ciclos de estações, dias e noites, nascimentos e mortes, imaginarem personagens por trás destes eventos e contarem suas histórias para outros, que as repetiriam. As histórias eram consistentes com os eventos, e vice-versa, e o mundo estava explicado.
Todavia, às vezes não era o bastante. A natureza pode ser bem impiedosa por vezes. Era preciso intervir na natureza, por algum motivo ou outro. Alguém precisaria interagir com aqueles personagens que comandavam a natureza. Não podia ser qualquer um. Precisava ser alguém cuja Visão pudesse contemplar estes seres; alguém cujos pés pudessem trilhar os caminhos deles. E assim, quase junto com a humanidade, nasceu a Magia. Não é possível saber quando a magia passou de um instrumento de intervenção na natureza para um instrumento de compreensão da natureza. Mas um dia isto aconteceu, e o ser humano, finalmente, possuía um meio de Entender, e de Se entender.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
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